Busca pela barriga negativa e exercicios em jejum colocam a saude em risco

Manter um corpo com o percentual correto de gordura e músculos fortes é uma postura saudável. Praticar exercícios regularmente e manter uma dieta adequada é a maneira certa de obter esses benefícios. Mas, com medo de obter resultados rápidos, muitas pessoas acabam fazendo uso excessivo. Até chegam lá, mas acabam levando o corpo ao extremo e prejudicando a saúde. Outros se deixam influenciar pelos modelos de beleza impostos e acabam ultrapassando as possibilidades do corpo.

O educador físico Cacá Ferreira, da academia da Cia Athletica, explica que é preciso entender que o corpo vai se adaptando progressivamente ao novo hábito de praticar atividades físicas. “Com o exercício regular, o corpo vai se ajustando progressivamente ao esforço, permitindo mudanças a médio e longo prazo na duração, intensidade ou frequência. Se o corpo for submetido a um estímulo cada vez maior sem conseguir se adaptar é possível que vá entrar em estado de exaustão ".

Os treinos com promessas milagrosas, o consumo de substâncias que otimizam os resultados sem orientação médica e até o exagero na prática de exercícios físicos estão na lista daqueles que não obedecem ao ritmo do corpo e tomam atalhos para se locomover. em forma. Em seguida, os especialistas comentam sobre sete erros principais. Veja por que eles são tão ruins para você.

Barriga negativa

O abdome negativo é anatomicamente definido pela formação de uma depressão na região abdominal, ou seja, o abdome é afundado, formando uma curva em relação às costelas e ossos pélvicos que se projetam do abdome inferior.

“A barriga negativa é a associação de vários fatores: depende de uma baixa massa de gordura corporal, músculos subdesenvolvidos e anatomia de costelas e quadris”, explica Cacá Ferreira. "Portanto, algumas pessoas podem até ter uma barriga negativa sem prejuízo significativo à saúde, mas nem todas as pessoas que perdem muita gordura terão uma barriga negativa."

Para atingir esse formato, cruza-se a fronteira entre alimentação e desnutrição, muitas mulheres optam por uma dieta de baixíssima caloria e acabam excedendo as quantidades de exercícios recomendadas. Esse processo leva o organismo à exaustão e pode até causar doenças e agravos à saúde, como distúrbios alimentares, alterações na ovulação e menstruação, alterações cardiovasculares, fraqueza do sistema imunológico, entre outros.

Pratique o jejum

É fato que algumas pesquisas recentes apontam para uma maior perda de gordura em quem se exercita com o estômago vazio. Um deles, conduzido na Northumbria University em Newcastle, Reino Unido, entrevistou 112 homens que se exercitavam antes do café da manhã e encontrou este resultado.

No entanto, até o momento, nenhum desses estudos concluiu que a atitude é positiva para ninguém. Além disso, existem vários riscos associados ao exercício sem nutrição adequada. O educador físico Raul Santo, pós-doutorado da Universidade São Judas Tadeu e fisiologista do exercício da Unifesp, explica que o jejum antes do treino pode causar desconforto, taquicardia, desmaios, tontura e fadiga. declínio do desempenho de curto prazo, além de depressão. estresse de médio e longo prazo.

“Quando você jejua, os níveis de glicose ficam baixos ou muito baixos, por isso o corpo usa a gordura como fonte de energia em exercícios leves e moderados”, explica o fisiologista. “Porém, há necessidade da presença de glicose para que a gordura seja queimada, então o exercício de jejum tem uso muito limitado de gordura - de acordo com os níveis de glicose - e será necessário retirar energia das proteínas”.

O uso de glicose como suplemento pode levar a sintomas de hipoglicemia, como fadiga, fraqueza e mal-estar. E usar a proteína como fonte de energia a médio e longo prazo levará a uma perda de peso prejudicial à saúde: ocorrerá uma diminuição da massa magra e o metabolismo ficará lento. “A perda de peso ocorrerá com a retirada de fluidos: para equilibrar os níveis de nitrogênio liberados pela quebra das proteínas, o corpo terá que diluí-los com água e excretá-los na urina”, explica Raul Santo.

Overtraining ou exaustão física

O educador físico Cacá Ferreira explica que o corpo passa por três fases de adaptação ao exercício físico:

Fase 1: O corpo se ajusta ao esforço na hora do exercício: aumenta a freqüência cardíaca e respiratória, aumenta a pressão arterial e o corpo produz mais suor, principalmente em quem está começando a se exercitar.

Fase 2: Se a atividade física for realizada de forma regular, o corpo entra na fase de equilíbrio, ou seja, o corpo está mais adaptado para realizar os exercícios causando menos alterações na pressão arterial, freqüência cardíaca e freqüência respiratória. Este é o momento em que você pode aumentar a duração, intensidade ou frequência dos exercícios.

Fase 3: Se o corpo é submetido a um estímulo crescente, sem necessariamente conseguir se adaptar, pode ocorrer overtraining, ou seja, o esgotamento corporal devido ao exercício.

“Segundo o American College of Sports Medicine, as pessoas deveriam se exercitar de moderada a intensa no dia a dia. Porém, o que é moderado e intenso depende da aptidão física de cada indivíduo”, explica Cacá Ferreira. O professor de EF explica que para evitar o overtraining, é importante manter o tempo de recuperação entre uma sessão de treinamento e outra. E esse tempo depende da duração, intensidade e frequência dos exercícios realizados. Os principais riscos do overtraining incluem danos físicos, como lesões, e danos psicológicos, como irritabilidade e depressão.

Uso de substâncias termogênicas sem orientação médica

Substâncias termogênicas são encontradas em alimentos, bebidas e, mais recentemente, em cápsulas. Esta última opção tornou-se popular entre os praticantes de atividade física por apresentar um efeito termogênico ainda mais intenso: aceleram o metabolismo, aumentando ainda mais o gasto calórico - o que já acontecerá - durante o exercício. Essas cápsulas são geralmente tomadas cerca de 30 minutos antes da atividade física.

As cápsulas termogênicas possuem diferentes princípios ativos, podendo ser compostas de chá verde, guaraná, cafeína, entre outras substâncias. O nutricionista Roberto Navarro, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), explica que o uso de substâncias como o chá verde e a cafeína não faz mal à saúde, mas em excesso e sem recomendação, podem estimular o coração a bater. mais rápido, o que pode levar ao aumento da pressão arterial e ao aparecimento de arritmias.

Segundo o educador físico Cac Ferreira, o uso indevido de termogênicos pode causar alterações no sistema cardiovascular e, por consequência, aumento da pressão arterial, o que pode ser um grande risco para pessoas com histórico familiar de problemas cardíacos com exercícios de alta intensidade. é. , Níveis elevados de gordura no sangue ou qualquer doença cardíaca. Portanto, é sempre necessário consultar um médico ou nutricionista antes de tomá-los.

As bebidas energéticas também podem acelerar o metabolismo, deixando o indivíduo mais alerta e com vontade de realizar exercícios físicos ou outras atividades, porém, isso pode levar ao aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e ao aparecimento de arritmias.

Programas de treinamento milagrosos

Todos os tipos de exercícios devem levar em consideração o nível de aptidão de cada pessoa. O treinamento inicial para alguém com pouco condicionamento deve ser planejado de forma que a intensidade e a duração sejam leves e aumentem progressivamente.

“Quando uma pessoa com baixo condicionamento é submetida a um exercício de longa duração e com intensidade máxima, o corpo direciona o fluxo sanguíneo para os músculos ativos”, explica Cacá Ferreira. “Com isso, o fluxo sanguíneo para os outros órgãos do corpo é reduzido, podendo surgir náuseas, dores de cabeça e até vômitos”. No longo prazo, as consequências podem ser ainda mais graves, como overtrain, ansiedade e depressão.

Portanto, não confie em atividades físicas que prometem resultados em tempo recorde. Em média, o corpo leva pelo menos dois meses para começar a trazer benefícios visíveis ao corpo, como músculos mais pronunciados e curvas, que ainda serão discretas. Outra dica a se observar se você apostar em muitos exercícios para você é perceber o esforço. Sentir-se exausto após cada exercício é um sinal de que você está levando seu corpo ao limite.

suando profusamente

Durante o exercício, é importante que o corpo seja exposto ao suor e que a temperatura corporal seja regulada. “Usar muita roupa ou plástico no corpo não ajuda a queimar mais gordura, e pode ser difícil manter uma boa temperatura e causar desidratação pela perda acentuada de líquidos”, explica o fisiologista Raul Santo. A quantidade de suor depende da carga de trabalho: tempo e intensidade. Portanto, é verdade que a maior quantidade de suor representa mais tempo, mais intensidade e mais calorias. Mas menos gordura não se destina a produzir suor, apenas água, que será reposta quando a hidratação for feita corretamente.

Abuso de suplementos proteicos

Consumir shakes e barras ricas em proteínas não o ajuda a perder peso ou ganhar massa muscular. “São indicados apenas para atletas de alto rendimento que passam por treinos extenuantes, quando apenas a dieta não atende às necessidades nutricionais”, explica Nikolas Chaves. Por exemplo, os triatletas precisam de músculos muito fortes para poderem realizar todas as horas de exercícios intensos a que estão submetidos e apenas uma alimentação balanceada não seria suficiente para o desenvolvimento muscular necessário para enfrentar este tipo de exercício com frequência. É uma situação em que o corpo funciona além de suas capacidades normais. Para quem não é atleta, comer de forma balanceada e várias vezes ao dia, com orientação de nutricionista, é uma boa estratégia para emagrecer e ganhar massa muscular.

De repente, mude a carga ou intensidade por conta própria

Quaisquer alterações que você fizer no treinamento com pesos, seja você alterar seu peso ou o número de repetições, devem ser discutidas com seu professor de educação física. “Quem treina com pesos e, de um dia para o outro, aumenta muito a carga ou aumenta bruscamente as repetições, pode causar uma lesão, a curto, médio ou longo prazo”, explica Cacá Ferreira. Outra dica é fazer essas mudanças de maneira muito sutil, por exemplo, aumentando meio quilo ou duas repetições por semana.

Comentários (1)

  • Suse B Hessmann
    Suse B Hessmann

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